Engenheiros participam do Congresso Estadual de Profissionais do Estado

27 mai 2010

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FONTE: Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea

Na abertura do 7o Congresso Estadual de Profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Paraíba (CEP-PB), na noite desta segunda-feira (24), em João Pessoa, o presidente do Crea-PB, Paulo Laércio, ao falar sobre o potencial econômico do Brasil atualmente e a expectativa que o país teve no passado de ser uma potência mundial, como vive agora, relembrou o pensamento dos antepassados: “um país deste tamanho, que fala uma única língua, tolera todo tipo de credo, abraça qualquer raça e só cultiva uma pequena parte das suas terras, é pobre porque não acordou ainda”.

E é sobre esse acordar. Um acordar para a necessidade do planejamento - perdida pelo longo período de falta de investimentos -, do agir agora, do fazer agora, com justiça ambiental e social, segundo o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, presente à solenidade de abertura, que os profissionais da área tecnológica precisam refletir e elaborar propostas durante os congressos estaduais e o Congresso Nacional de Profissionais (CNP).

“No final da década de 60 vivemos essa mesma expectativa, que foi frustrada, pois não planejamos e não montamos as nossas estruturas para operacionalizar o crescimento. Já temos a base de uma economia estabilizada. Enfrentamos a crise com mais investimentos, menos juros, aumento do salário mínimo e com as políticas compensatórias, o que recuperou a capacidade de consumo das classes C e D e deu estabilidade econômica ao país”, relembrou Marcos Túlio.

Para ele, o que o Brasil precisa agora é continuar se distanciando da lógica neoliberal, onde a economia era regulada pelo próprio mercado, e continuar trilhando essa perspectiva de crescimento sólido, com o novo parâmetro da sustentabilidade ambiental e também social. “O IDH tem que ser o parâmetro central para que possamos estabelecer esse novo modelo de crescimento. Não considerarmos o crescimento somente pelo PIB. Precisamos adotar o Índice de Felicidade Humano (IFH), já discutido em Copenhague durante a COP-15″, sugeriu o presidente do Confea.

“Precisamos voltar a discutir o planejamento e resgatar a cultura técnica perdida em tempos passados. Queremos construir um futuro com qualidade de projeto e discutindo com a sociedade quais são as suas prioridades”, enfatizou Marcos Túlio, ao dizer que é exatamente esse o desafio que os profissionais da área tecnológica têm durante os Congressos Estaduais.

Para o eng. civil Francisco Jácome Sarmento, secretário do Meio Ambiente, Recursos Hídrico e da Ciência e Tecnologia da Paraíba - na solenidade representando o governador José Maranhão -, “o Brasil vive hoje um momento único, dada a mudança de paradigma, com a força estatal ocupando os espaços do sistema capitalista, para mim um sistema amoral. O poder estatal está trazendo oxigenação na forma de políticas públicas adequadas”, enfatizou.

De acordo com o secretário, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é um dos vetores importantes desse novo contexto, pois é uma política de Estado. “O PAC 1, com seus R$ 530 bilhões, e o PAC 2, com R$ 1 trilhão, vai resgatar o nosso passivo, principalmente em infraestrutura. A Paraíba vai ter a chance de se atrelar ao desenvolvimento do país”, ressaltou.

Para Cristina Evelise, coordenadora-adjunta do CEP-PB, esse é um momento de expectativa para o desenvolvimento urbano. “Devemos estar atentos às cidades que queremos: mais humanizadas e possíveis. Isso é um grande desafio. Trancamos-nos em nossas casas e condomínios e viramos as costas para as cidades informais. Isso precisa mudar. Precisamos de soluções viáveis e sustentáveis. Certamente as reflexões que tiraremos daqui, após a palestra de Nabil Bonduki, certamente será um semente fértil para assumirmos o papel que nós temos: de tentar diminuir o déficit habitacional”.

Palestra - Para falar sobre “Habitação Social no Brasil: novas perspectivas de intervenção”, os organizadores do CEP-PB convidaram o professor da Universidade de São Paulo (USP), arquiteto e urbanista Nabil Bonduki. “Estamos na habitação 50 anos atrasados em relação aos avanços já alcançados pela educação e pela saúde”, afirmou.

Ao apresentar o Plano Nacional de Habitação (PlanHab), após fazer uma retrospectiva histórica da evolução da concessão de crédito e a construção de conjuntos habitacionais para diminuir o déficit de moradias no Brasil, Bonduki disse que a diferença existente do período do Banco Nacional da Habitação (BNH) e agora é a disponibilização de recursos onerosos, considerando todos os segmentos sociais.

História - O Brasil, a partir da segunda metade do século XX, foi o país que teve o maior crescimento urbano, com 140 milhões de pessoas passando a morar nas cidades, num período de 60 anos, agravando os problemas urbanos. “Com o estado oscilando a sua postura de enfrentamento do problema, intercalando períodos de participação e de não participação, somente em 2000 a habitação passou a ser um direito social. Do ponto de vista quantitativo, a produção do BNH foi importante, mas não reproduzia a qualidade das construções de conjuntos do período anterior”, afirmou Nabil.

Ele relembrou alguns conjuntos habitacionais, a exemplo de Realengo (1938-1942) - o primeiro conjunto habitacional brasileiro, construído no Rio de Janeiro, com 2,3 mil unidades. “Naquela época os conjuntos eram concebidos com várias soluções habitacionais. Com mais qualidade de projeto”, ressaltou. “O conjunto de Pedregulho, também no Rio de Janeiro, é outro exemplo. Unidades habitacionais e com áreas comerciais, com diversidade de uso do tecido urbano”.

As décadas de 80 e 90, segundo o palestrante, foi um período que não se financiou o parque produtivo. “Nessa época, de desarticulação das estruturas técnicas, os financiamentos somente permitiam a mudança de donos, não a construção de novas unidades, isso agravou ainda mais o nosso déficit”, afirmou.

Nabil Bonduki defendeu a reabilitação de espaços vazios. “Precisamos ocupar essas cidades ocas”. O PlanHab, que tem um horizonte de implantação em 2023, se propõe a enfrentar o déficit acumulado (até 2006) de 7,9 milhões de moradias e de 27 milhões de moradias das necessidades futuras (20007-2023).

“Por mais recursos que tenhamos, a demanda é muito grande, por isso temos que pensar o problema da habitação levando em consideração as diferenças regionais, só assim conseguiremos atingir a meta de retirar 3,2 milhões de famílias de assentamentos precários”, finalizou. Bonduki.

O CEP-PB é coordenado por Antônio Carlos Aragão. Na solenidade de abertura os presidente do Creas de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, respectivamente, Aloísio Ferreira, José Mário Cavalcanti, Adalberto de Carvalho e Paulo Eduardo de Grava (vice-presidente Crea-SP) prestigiaram o evento. Os conselheiros federais do Confea, Pedro Lopes e Martinho Nobre, também participaram da abertura.