País precisa formar mais engenheiros doutores

21 mai 2009
FONTE: Thiago Tibúrcio
Assessoria de Comunicação do Confea

A inovação tecnológica em Engenharia e a produção científica no Brasil foi o principal tema da palestra de José Siqueira, diretor de Programas Temáticos e Setoriais do CNPq, durante o segundo dia da reunião extraordinária do Colégio de Entidades Nacionais (Cden), no plenário do Confea, em Brasília, nesta quarta-feira (20).

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é uma agência do Ministério da Ciência e Tecnologia destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país.

Ao falar para a plateia, composta por cerca de 20 representantes de organizações profissionais do Sistema Confea/Crea, Siqueira lembrou das metas previstas no Plano de Desenvolvimento Produtivo, do governo federal, em que se deseja formar, até 2010, 45 mil mestres e 16 mil doutores no país.

Siqueira, que é engenheiro agrônomo, informou que o Brasil ocupa a 9ª posição no mundo no ranking de formação de doutores em Engenharia, com 1,2 mil profissionais diplomados por ano. Na China, a primeira colocada, são aproximadamente 8 mil.

“É muito difícil manter os profissionais de engenharia em cursos de pós-graduação, pois o mercado de trabalho paga muito mais do que os R$ 1.800 oferecidos nas bolsas de doutorado”, declarou.

Para resolver o problema, ele informou que as organizações de engenharia devem somar esforços com o governo para atrair os engenheiros para os cursos de pós-graduação.

“Não há como aumentarmos o valor das bolsas. Outro caminho deve ser buscado, como despertar vocações nos engenheiros, evitando uma formação rígida, especializada e puramente técnica”, disse.

O representante do CNPq ressaltou ainda que o país ocupa a 13ª posição no ranking mundial de produção de artigos científicos, com 30.415 textos publicados em 2008. E mais: 1,4% do conhecimento científico mundial de Engenharia é produzido pelo Brasil. Dentro do país, artigos sobre Engenharia ocupam a sexta posição no ranking científico.

Entretanto, um dos grandes problemas da pesquisa científica no Brasil continua sendo o registro de patentes. Enquanto a Coreia do Sul, em 2008, registrou 7.800 patentes, o Brasil registrou 101.

Ao fim de sua apresentação, Siqueira divulgou as políticas de investimento do CNPq e garantiu que, apesar da crise econômica, o governo não cortará recursos previstos para concretizar o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (Pacti) e reconheceu que a pesquisa científica ainda não gerou desenvolvimento para o país na medida necessária.