Dia do engenheiro - 11/12 - Desenvolvimento sem engenheiros?

10 dez 2009

O governo federal reconhece a engenharia como estratégica, mas vem sendo alertado: o projeto de crescer 6% ao ano pode esbarrar na falta de engenheiros.

A data de 11 de dezembro é feita de festas e homenagens a engenheiros e arquitetos e, também, da afirmação de um longo e muitas vezes árduo caminho de lutas. No cenário das novas tecnologias para a produção de bens e serviços, o país exige uma engenharia de qualidade e sofre com a falta de engenheiros.

Não é por outra razão que o papel das universidades e a prática da engenharia pública estão sob a luz permanente de holofotes. Segundo recente levantamento realizado pelo jornal Estado de São Paulo, dos 589 cursos autorizados pelo Ministério da Educação, de julho a 2008 e agosto de 2009, apenas 13% são da área. Entre os 283 cursos ofertados pelas 12 novas universidades federais, apenas 52 são de Engenharia. Na soma geral, 75% das graduações são de faculdades privadas.

Dos cursos autorizados no período de 12 meses, Administração, com 63, continua campeã, empatando com Ciências Contábeis. As áreas de Engenharia - desde a civil até naval e aeronáutica, passando por florestal, entre outras - somam 77. Todos os cursos de Engenharia no País somam cerca de 120 mil vagas - excetuando-se ainda Engenharia de Alimentos, entre outras que são cursos de tecnologia. Isso representa pouco mais de 4% de todas as vagas de ensino superior do País.

Na Coreia do Sul, 26% de todos os formandos são engenheiros. No Japão, 19,7%. Mesmo o México, país em desenvolvimento com indicadores semelhantes aos brasileiros, hoje tem 14,3% de seus formandos nessa área. Na China, eles alcançam 40%, ainda segundo estudo do jornal Estado de São Paulo.

A implantação de políticas públicas convive com salários pouco compatíveis, para não dizer miseráveis, pagos aos engenheiros em todas as instâncias de governo - municipal, estadual e federal. Se o número de profissionais não atende nem às demandas, os poucos que resistem tendem a buscar alternativas na iniciativa privada ou enfrentam a luta diária por uma remuneração digna.

Neste contexto, a Fisenge, e os Senges a ela filiados, estimulam o debate em fóruns locais e nacionais e fazem do dia 11 de dezembro, Dia do Engenheiro, também um dia de reflexão, mobilização e afirmação de bandeiras permanentes de luta. O leque é amplo e vai desde a ampliação da organização sindical, com ações voltadas para a educação, a comunicação e o mercado, até a mobilização dirigida a um projeto de desenvolvimento que só se concretiza com profissionais que valorizem a ética e o conhecimento como formas, inclusive, de eliminar a corrupção.

A mudança virá, impulsionada pela força de nossa credibilidade política, com o debate em todos os segmentos da engenharia nacional e com o fortalecimento do papel do Sistema Confea/Crea na luta implacável pela valorização profissional.

Diretoria da FISENGE