Um choque na cultura do improviso

01 nov 2011

Assessoria




Por Sandro Guidalli, em Patos (PB)

O Brasil precisa prestar atenção ao que está acontecendo em Patos, no interior da Paraíba. Lá, o poder público e a auditoria fiscal do Trabalho uniram-se num projeto cuja finalidade é fazer despencar a ocorrência de acidentes de trabalho na Construção Civil

Em 2009, o auditor fiscal do Trabalho, Carlos Alberto Pontes, poderia ter se tornado o mais odiado dos homens na cidade de Patos,  o quarto maior município da Paraíba, com uma população estimada em mais de 120 mil habitantes.

Na ocasião, por apresentarem problemas de segurança, Pontes embargou dez obras na cidade (que vive acelerado processo de verticalização) mas ao invés do desconforto que suas ações poderiam gerar, o que  ouviu dos agentes públicos foi um pedido de ajuda para solucionar a insegurança nos canteiros pela raiz.

Daí a criação de um decreto que torna mais rigoroso o processo de liberação de alvarás de construção na cidade. Agora, os empreendedores precisam apresentar um projeto de engenharia de segurança do trabalho condizente com o projeto da obra para poder obter a licença. São equipamentos de proteção coletiva que podem ser usados em outros empreendimentos e que diminuem os riscos de queda e de choques elétricos, principais causas de óbitos em obras no país. Em outras palavras, isso pode ser o fim das gambiarras.

“Nós esperamos que a cultura do improviso que produz essas mortes  seja abandonada em Patos e que o exemplo do município sirva para cidades como João Pessoa e Campina Grande. Quando a engenharia de segurança do Trabalho passa a fazer parte da rotina das obras, estamos querendo dizer que isso significará menos mortes, mais segurança, mais economia. Todo mundo ganha com isso”, resume Pontes.

Ele participou ontem (18) de um encontro que reuniu mais de 200 pessoas na cidade em que o decreto e o problema da falta de segurança nos canteiros foram amplamente abordados. Pontes continuará fiscalizando a cidade. Mas espera que nos próximos anos deixe de constatar os problemas que hoje vê.

“É uma cultura que precisa ser alterada e isso leva tempo”, diz ele, com esperança de ver uma nova realidade daqui pra frente. O desafio está apenas começando.

FONTE: http://blog.mte.gov.br