País perde US$ 15 bi com má gestão de obras públicas, afirmam engenheiros e arquitetos

11 jun 2010

“O Brasil deixa de crescer o equivalente a US$ 15 bilhões ao ano por conta da má gestão da infraestrutura de obras públicas. Isso significa 1% do PIB (Produto Interno Bruto) do país”. As afirmações são de Jaime Sunye Neto, presidente do IEP (Instituto de Engenharia do Paraná), órgão que coordena o fórum Projeto País - Governança e Gestão - Desafios da Infraestrutura e Engenharia Brasileira, marcado para acontecer nos dias 17 e 18 de junho, em Curitiba. Com a participação do Instituto de Engenharia de São Paulo e do Crea - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, o objetivo é convergir estratégias e entregá-las formalmente aos candidatos à Presidência da República, como proposta para desatravancar o crescimento do país.

Para o coordenador da Conepe (Congregação Nacional das Entidades Pioneiras da Engenharia) e presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, Aloísio Barros Fagundes, um dos aspectos importantes a serem considerados é o de que o Brasil está emperrado pelos entraves constitucionais e muitas interferências dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário entre si. “Há promotores, por exemplo, que, em defesa do Executivo, abrem inquéritos civis que não dão em nada e acabam atrapalhando as suas próprias ações”, declarou. “O tema deste seminário é tudo quanto se precisa discutir para que um dos três candidatos possa conduzir o país, pois a engenharia movimenta algo em torno de 25% da economia brasileira”, emendou Fagundes. Segundo ele, cada cidadão brasileiro demanda investimentos anuais entre US$ 5 mil a US$ 8 mil em infraestrutura. “Estamos sempre na iminência de grandes apagões, então há que se investir maciçamente em obras”, concluiu.

O evento é nacional e direcionado a entidades de engenharia e arquitetura. Também participam do seminário o Clube de Engenharia de Pernambuco, Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul, Federação Brasileira de Associações de Engenheiros, Crea-PR, Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias e a Academia Nacional de Engenharia. Este é o primeiro evento realizado sob a chancela do Conepe, que tem sede em São Paulo. Ao final do seminário será redigido um documento que reunirá as estratégias propostas e que será apresentado aos presidenciáveis em Cuiabá (MT), em um congresso da categoria. A base das propostas tem seis fundamentos principais que levam em consideração as necessidades e expectativas dos cidadãos, acesso da população aos bens e serviços essenciais e a preservação dos ecossistemas. O controle social no planejamento, execução das obras e a integração internacional para o estabelecimento de padrões fundamentais também estão previstos na pauta de discussões.